rashomon.

Rashomon · sobre

Quatro testemunhas, um crime

No filme de Kurosawa, cada testemunha conta o mesmo crime de um jeito. Aqui as testemunhas são a imprensa, as redes e o Congresso, e o crime é um nome.

O que é

O rashomon junta tudo o que se escreve sobre 27 figuras públicas do Brasil. Depois desenha as palavras que grudam em cada nome: quantas vezes aparecem, o quanto isso surpreende, quem escreveu e com que avaliação.

Ele não diz quem tem razão. Ele mostra que versões existem e deixa você ler os textos por trás de cada uma.

pessoas acompanhadas
27
fontes
10
gráficos
5
cópias de artigo guardadas
0

De onde vêm os textos

Um coletor por fonte. Cada um traz só o que a fonte entrega de propósito: o post, o resumo do feed, o título. Nenhum coletor abre a página de um artigo para copiá-la.

  • Blueskyposts que citam a pessoa
  • Google Newsbusca por nome, Brasil, pt-BR
  • GDELT GKGnotícias do mundo, traduzidas, linhas em português
  • GDELT DOCbusca de notícias do GDELT, fora da coleta diária
  • RSSg1, Folha, Veja e Correio (política); CNN, Metrópoles, Poder360 e O Sul (site inteiro)
  • Jurídicotribunais e imprensa jurídica
  • Oficialassessorias de instituições
  • Nichoimprensa partidária, investigativa e de checagem
  • Câmararesumos de discursos de deputados
  • Senadoresumos de discursos de senadores

Um texto guardado tem no máximo 20 000 caracteres. Um nome só conta quando aparece inteiro: “Leite” sozinho seria a bebida, por isso o site prefere nomes completos.

O modelo

Kikori, o lenhador

Kikori é o lenhador do filme: a testemunha em quem todos confiam, e que também mentiu. É o nome do modelo que dá uma nota para cada texto, de −10 (contra a pessoa) a +10 (a favor).

Pense num fiscal que lê uma frase e aponta: “isso fala mal dela”, “isso não fala nada”, “isso elogia”. O kikori faz isso com cada par pessoa + texto. O mesmo texto pode ganhar uma nota para uma pessoa e outra nota para outra, porque a pergunta é sempre “como esse texto trata essa pessoa?”.

Kikori, o mascote: um carcará em pixel art, de fones de ouvido e asas abertas.

Como uma nota nasce

  1. 1 · o par [CLS] Tarcísio [SEP] Tarcísio fez um trabalho excelente [SEP]

    O nome vai na frente, o texto atrás. O modelo lê os dois juntos.

  2. 2 · a janela

    256

    pedaços de palavra, no máximo, somando o nome e o texto. Num texto longo, a janela fica em volta da primeira vez que o nome aparece. Um texto que não traz o nome manda o começo.

  3. 3 · três chances
    contra
    0,183
    neutro
    0,149
    a favor
    0,668

    O modelo divide 100% entre as três respostas.

  4. 4 · a nota

    (0,668 − 0,183) × 10 = +4,9

    A favor menos contra, vezes 10. Até −2,5 conta como contra; de +2,5 para cima, a favor.

Teste

A mesma frase, quatro nomes

Notas reais do kikori. Só o nome muda.

−10−2,50+2,5+10contraneutroa favor“X fez um trabalho excelente”os quatro · +4,9 a +5,8“X participou da reunião na terça”os quatro · 0,0 a +0,4“X é um corrupto e destruiu o país”Jair, Tarcísio, Michelle · −4,3 a −4,4Lula · +0,1

Elogio e frase neutra: o nome não muda nada. Ataque: com Lula, a mesma frase cai no neutro, colada no zero. O modelo aprendeu com textos em que Lula recebe mais elogios, e o nome virou uma pista. Por isso o site nunca compara a nota de uma pessoa com a de outra. Ele compara veículos falando da mesma pessoa: o viés é igual para todos eles, então a diferença entre veículos continua valendo.

O que ele mede

  • O enquadramento, nos dois sentidos: adjetivos, ironia, deboche, elogio, ataque.
  • Avaliações citadas. “Fulano chama o governo de máfia” pesa contra o governo, mesmo que o jornal só relate.
  • O descrédito, só para baixo: “alvo da PF”, “acusado de”, “ligado ao escândalo” descem um pouco a nota, mesmo sem opinião no texto.
  • Torcida. “Vou votar em você”, “LULA 13” sobem a nota.

O que ele não mede

  • Se o texto diz a verdade.
  • A política da pessoa, ou o lado de quem escreveu.
  • O humor geral do texto.
  • Parentes e aliados. Uma denúncia contra o filho não mexe na nota do pai, se o texto não fala do pai.
  • Boas notícias contadas sem elogio. “Lidera pesquisa com 40%” é 0. Por isso a régua pende um pouco para o negativo, e pende igual para todo veículo.

Como ele aprendeu

O kikori parte do BERTimbau, um modelo que já lê português. Um modelo maior, o “professor”, leu milhares de pares e deu uma nota a cada um, seguindo um livro de regras escrito à mão. O kikori estudou essas notas. Quando uma pessoa conferiu o professor, concordou com ele em cerca de 73% dos casos.

pares de treino
13 778
pares de prova, nunca vistos
578
acertos na prova
78%
chutando sempre “neutro”
61%
elogios encontrados
18 de 47

O ponto fraco é o elogio: na prova, ele achou 18 dos 47 textos a favor. Uma nota perto de zero pode ser um elogio que ele não viu.

Uma régua, não um juiz

Toda nota guarda a versão do modelo que a deu. Quando o kikori é treinado de novo, o site dá nota a tudo outra vez, em vez de misturar notas de dois modelos. Uma régua trocada no meio da medição estragaria a comparação entre veículos, que é o único uso honesto dela.

Três cuidados

  1. A avaliação carrega o nome. Compare veículos sobre a mesma pessoa, nunca pessoas entre si.
  2. A inclinação de um veículo é um julgamento com fontes, não um fato. Um veículo sem inclinação marcada é um que ninguém pesquisou ainda.
  3. Uma palavra conta textos, não repetições. Três “corrupto” no mesmo texto contam uma vez.

Código

Tudo é aberto: a coleta, a contagem, o modelo e as regras que ensinaram o modelo.

Sem dados fictícios em produção.Nenhuma cópia de artigo guardada.